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Cheiro

Você pode lutar contra memórias de qualquer cunho, menos a olfativa. 
Cruel, maltrata com cheiros.
Esses dias no metrô esbarrei com alguém com o cheiro semelhante ao teu. Como não recordar teu sorriso? E o modo como me abraçava? Até mesmo quando eu encostava a cabeça no teu ombro. Aquele cheiro era um convite e eu detesto recusas... 
E quando eu cruzo a esquina, sinto o cheiro do café. Fim de tarde. Chuva. Como não lembrar das nossas tardes embaladas a chamegos e carinhos e cheiro de café fresquinho que você fazia questão de preparar? 
Tão minucioso em me acalentar com boas lembranças, de fazer com que eu preservasse isso em mim. Preservo, você sabe. 
Os cheiros trazem teus jeitos, trejeitos à minha memória. Como não lembrar? Como não lembrar com carinho por tudo aquilo que vivemos? Cheiros para selar...
A vida é a arte dos encontros, embalada por todos os sentidos. Mas o cheiro, ah, esse maltrata...

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