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Até

Foi breve.
Tentou uma re-aproximação, mas viu que não iria render muitos frutos ali. Ora, era primavera. A tendência não é florescer?! Talvez não houvesse mais nada para florescer ali. Tudo o que tinha para ser, foi. A época resume bem tudo o que foi: foi verão. E foi como tinha de ser: Quente, sufocante, passageiro. Começou com um belo, ensolarado e feliz ensaio, mas terminou tempestivo como tem de ser. Águas de Março fecharam o Verão, fecharam esse ensaio e seguimos.
Foi breve.
Quantas idas, quantas vindas. Assuntos, tentativas, ensaios e mais ensaios. A época das flores insistia em mostrar que não tinha mais nada que ver ali. Ou não tinha mais nada para fazer ali. Se questionou e manteve a questão acesa em seu coração. Por quê? Porque sim, porque não. Talvez porque. Talvez... Indecisão é seu ponto forte. E até esgotarem todas as suas tentativas, ela continuava. E continuou, mas...
Foi breve.
Poderia ter sido só um beijo. Um elogio. Risadas. Queria boas lembranças, pois já estava esgotada de mágoas. Por um momento esqueceu da promessa, mas agora via que essa promessa era algo em vão. Como esquecer que alguém passou por sua vida? Não é tão simples... Redes sociais facilitam certas coisas, mas a vida é de carne e osso. É de cortar na carne. É de fazer você sentir que, sim, você está vivo apesar dos pesares. Pessoas passam e, passando, deixam marcas. Num balaio de marcas, acabamos por nos construir em cima de escolhas. E escolha aquilo que te faz sorrir, que te faz ser leve, que te faz ser você. Lições! E tudo isso...
Foi breve.
Ventava bastante, era um dia quente. Era um ensaio de que o tempo iria mudar. Ou seria a sua vida? Sentou-se no ônibus e a pergunta latejava nela. Por quê? Sentiu, ensaiou e decidiu. Ufa! Parece que os ventos sopraram do modo correto dessa vez. O tempo fechou, mas ela não se importava. Decidiu. Sem mais ensaios, buscou ser breve como tinha sido o tempo todo. (Ou tentara, na maioria das vezes). Ao ver que tinham esgotados todas as suas tentativas inúteis de estar ali, resolveu ir.
Foi breve.
Sem mais demoras, sem mais delongas. Cortou na carne e foi. Um bilhete, as desculpas e até breve. A vida é curta, o coração é grande e o mundo é miúdo. Escolheu guardar as coisas boas que se projetaram o tempo todo naqueles ensaios, naquelas danças e no carnaval de empurra-empurra constante. Desejava fortemente, mas tem sede. De amor, de liberdade, de duração.
Florescendo, segue.
E seguindo, dura.
De endurecer-se
De tornar-se duradoura.

A primavera está aqui e o verão já se ensaia em nós para ser, mais uma vez, breve e intenso.  

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