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(des)encontros

Eu gostava de observar as constelações que te compunham. 
Era tão bonito te ver deitada, com esses teus cabelos que parecem esconder milhares de segredos e pensamentos. Ah, se eu tivesse fôlego para descobri-los. 
Você era bonita na sua simplicidade.
Gostava de jeitos mais independentes, prezava por isso. E eu te admirava, te admirava em silêncio.
Em silêncio porque as palavras são traiçoeiras, são flechas que, disparadas sem direção, cortam e esmagam e o dano pode ser fatal.
E eu gostava de te admirar em silêncio.
Quando você colocava a mão no rosto fingindo estar envergonhada ou quando ria para mim sem graça pedindo para eu parar com aquilo.
Era bonito te ver vermelha de vergonha.
Era bonito porque hoje as pessoas gostam mais de se exibir e você não era assim. Você era você na sua naturalidade de ser você. E isso me encantava...
Eu não sei por onde andas agora. O que fazes, como fazes...
A saudade é um misto estranho de lembrança gostosa e vazio desagradável. 
A liberdade é algo que me conforta hoje, pois sei que o mundo, embora grande, é pequeno. E do mesmo jeito que nos esbarramos uma vez, iremos nos esbarrar de novo. 
E hei de contemplar suas constelações novamente e me perder - sem questionar, dessa vez - os mistérios e segredos que o teu cabelo guarda.
Te guardo, menina.
Te guardo em cada pedaço doce e amargo de mim - por que não?!
Te encontro na vida, pequena.
E que você traga sempre mais vida ao retornar em mim. 

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