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à meia-luz

- Você poderia, por favor, apagar a luz?
- Por quê?
- Não gosto do meu corpo.
- Mas você é tão bonita!
- Onde?
- Por onde começo?
- Tente!

Eu poderia começar a falar dos teus olhos, por exemplo. E do modo como eles se apertam, brilhando, ao sorrir de qualquer besteira tola que eu falo ou faço ou até imagino quando se trata de nós dois. Poderia falar do teu sorriso que, consequentemente, aperta seus olhinhos lindos e brilhantes e, como em um conjunto, me fascinam por ser tão simples, belo e puro. Poderia falar de tuas mãos tão pequenas. Tuas mãos que me pegaram e simplesmente me levaram por aí. Descobrir-se é tão singular, mas me descobrir por tuas mãos foi fascinante. Poderia falar de teu cabelo negro como o anoitecer. A penumbra das tuas ondas que me fascinam e me fazem querer navegar como um marinheiro de primeira viagem. Poderia falar dos teus pés pequeninos que caminham lado a lado comigo por onde quer que eu ouse ir. E isso é tão único, porque não imaginei que pés tão pequenos conseguissem bailar de maneira tão formosa ao tocar da vida. E a vida não anuncia a melodia, simplesmente a toca. E tu segues, segues, segues... Poderia falar de tuas pernas, que aguentam minhas lamúrias e afagam os meus pensamentos quando estes se tornam pesados. Pernas estas que, juntamente com teus pés, desconhecem os limites e desbravam os dias e noites adentro de mim, de nós. Poderia falar de teus braços. Estes pequenos, frágeis e fortes braços que me acolhem todos os dias quando chego farto de mais tantos outros dias. Braços estes que aguentam o peso dos ombros e transformam em leveza ao voar por aí, bailando harmoniosamente com teus pés e pernas como se a vida fosse apenas por hoje. Poderia falar de tuas curvas que me fascinam. A curva do teu sorriso ao tornar seus olhos castanhos tão pequenos e lindos; a curva das tuas pernas ao deitar-se ao meu lado em tua posição preferida; as curvas dos teus seios naquela blusa branca surrada que você detesta que eu veja e que me convida a aconchegar-se perto de ti para o acalanto de mais uma noite junto de teus carinhos; as curvas minuciosas e detalhadas do teu corpo que me fazem esquecer toda vez do que sou e me descobrir cada vez mais perto de ti. As curvas que, sem querer mais do que querendo, me levam a derrapar em você e em todo esse mistério que te compõe.

Agora, me explica... por que essa luz apagada se já sei de cor tudo aquilo que você insiste em esconder?

Teus detalhes são meus e isso não se observa em uma noite, mulher, se observa em todas as pequenas-grandes vezes que você sorrir para mim e, despercebida, ignora meus olhares minuciosos e delicados perto de tanta beleza estonteante. 

Saiba que apagarei a luz, mas saberei de todos os seus segredos e mistérios, e os recordarei sempre que você me beijar a boca, me deitar em teus braços e afagar os meus cabelos como quem nada quer.

Desejo o teu desejo, menina. 

Apago a luz e deixo que a luz do teu grande sorriso me guie por noite adentro nas curvas que te compõem.

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