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Mostrando postagens de 2015

Entre o Beijo e a Poesia

Das batucadas mais fortes que o carnaval nos presenteia, a mais intensa era o batuque entre os lábios dele e dela.
Passar o carnaval no Rio de Janeiro é o sonho de qualquer pessoa, mas aquele beijo fazia esse sonho se tornar "mas que nada".
Quente, memorável, explosivo
Como uma bateria de carnaval.
A cena que latejava era a puxada que ela deu no braço dele e o levou para debaixo dos Arcos da Lapa.
Que momento!
Quanta coisa aconteceu ali naquele curto espaço de tempo, naquela tarde quente de segunda-feira pós-bloco.
Fechava os olhos e sentia. Pensava, flutuava e deixava a sua voz interna falar: "- Parece que fui feita para te beijar!"
"Beija o garoto!", gritavam de lá.
"Wow!", se assustavam as gringas.
E eles riam, riam...
O momento era aquele.
E foi eternizado nesse beijo
Que hoje vale a poesia.

Baile

Sabia o caminho até os discos de vinil na sua estante, mas hesitava em fazê-lo. 
Era a lembrança mais intensa que tinha dos dois. Sabia que depois da escolha do disco, a música rolava e o resto era só melodia composta por eles.
Por que tão difícil cessar isso que queima entre nós? 
Ou mesmo deixar arder até não restar mais nem fumaça.
Tentou uma, tentou duas...
Foi para o banho.
Abriu uma garrafa de vinho.
Dançou sozinha e tentou afastar aquela lembrança que insistia em estar ali. 
O cheiro ainda permanece
O gosto é forte
A vontade, pulsa. 
E ela...
Ela segue,
Ela baila
Aquela melodia composta por mais um dos muitos que passaram por aquela pista de dança.

Musicando

Um copo a menos
E eu ainda sinto seu corpo debruçado sobre o meu.
Continuo imaginando como teria sido...
Ou pode ser? 
Ainda sinto teus dedos me tocando
E dedilhando
Com todo carinho
Escuta
Coração
Sensibilidade
Daquelas que poucos possuem.
"É dom..."
Dizem. 
Mas amor é isso
É como música:
É preciso ter swing.
Ou nasce com tal
Ou morre tentando obter.

Até

Foi breve. Tentou uma re-aproximação, mas viu que não iria render muitos frutos ali. Ora, era primavera. A tendência não é florescer?! Talvez não houvesse mais nada para florescer ali. Tudo o que tinha para ser, foi. A época resume bem tudo o que foi: foi verão. E foi como tinha de ser: Quente, sufocante, passageiro. Começou com um belo, ensolarado e feliz ensaio, mas terminou tempestivo como tem de ser. Águas de Março fecharam o Verão, fecharam esse ensaio e seguimos. Foi breve. Quantas idas, quantas vindas. Assuntos, tentativas, ensaios e mais ensaios. A época das flores insistia em mostrar que não tinha mais nada que ver ali. Ou não tinha mais nada para fazer ali. Se questionou e manteve a questão acesa em seu coração. Por quê? Porque sim, porque não. Talvez porque. Talvez... Indecisão é seu ponto forte. E até esgotarem todas as suas tentativas, ela continuava. E continuou, mas... Foi breve. Poderia ter sido só um beijo. Um elogio. Risadas. Queria boas lembranças, pois já estava esgo…

sem rumo

Passado o tempo Es pa ço Apressa o passo Rumo Ao Sem rumo. Não há volta, Nem caminhos Tra ça dos Os laços Desfaço Os nós E sigo... Sem rumo Ao
Meu mundo.

Hoje

Deitada nessa meia-luz,
Meio sombra, meio escuridão,
Se entrega por inteira. 
Sussurra, geme, sorri
Meias verdades
Ou grandes mentiras?
Seu olhar é um mistério,
O qual eu não ouso desvendar.
Debruças,
Relaxa os cabelos no meu peito
E me envolve no teu cheiro. 
Percorro o mundo,
O universo,
O cosmo,
E retorno
Na galáxia das tuas pernas
Para desfalecer, enfim, na aldeia dos teus braços,
Repousar no aconchego do lar da sua boca
E encontrar caminhos em tuas mãos.
Desbravemos, então, trilhas no entrelaçado dos nossos pés. 
O infinito é esse quarto
Composto apenas
Por eu&você.

Presentes do Acaso

E foi um daqueles encontros que não se consegue esquecer em muitas vidas. O coração chegou até a bater descompassado naquele momento.  Te ver, te querer, te tocar... Gestos simples, mas tão únicos.  Sente-se! Quer água? Cerveja? Vinho? Beijo? Café? Cafuné?  E você, timidamente, ri...  Te admiro. Ha, como é bonito. Fica aí, levanta não. Gosto da cor dos teus olhos.  Enquanto tento abrir a garrafa de vinho de maneira bruta, tu levantas e chegas para mais perto de mim. Tão difícil resistir ao teu toque suave.  Me deixo levar... Um beijo, dois passos para atrás Aperto entre o teu braço na minha cintura e o meu corpo encostado na pia.  Deixei que me guiasse. Mãos no cabelo, no rosto, aquela esbarrada na garrafa de vinho. E derramamos. Nos derramamos a noite inteira entre jogos, risos e carícias. Malícias.  Teu corpo era meu. Meu corpo era teu.  À meia luz, nos derramamos e nos pertencemos.  Cê é bonita, já disse?! Fica aí que eu quero te olhar.  Enquanto o dia nasce, nos debruçamos em nós e compomos um laç…

silver lining

Dei-me conta de uma coisa:
Não se precisa de muito para ser feliz.
Dê o prazer sensível e terno ao simples...
o simples fato de ser
de estar
de contemplar o que a vida vier a lhe oferecer.
Lembrar-me-ei de agradecer em momentos vãos também...
a vida é cheia de coisa boa, afinal.

Como?

Como se fala de ausência quando não se há partidas? . . . Como se fala de ausência quando se há? Preocupante mesmo seria se não houvesse... Não houvesse amor, Não houvesse amanhã, Não houvesse isso que chamamos “ser”. ... Como se fala da presença quando não se há toques? . . . A sensibilidade de enxergar para além disso Disso que insiste em se re-fazer. Desfazer Diluir Re-nascer. ? Como se fala de liberdade sem voar? ,    ,        , Na liberdade do corpo, Da dança da alma, Do balanço do sorriso, Do brilho dos olhos, Da mão-na-mão. !
O amor em sua mais simples-complexas-incógnita forma de ser.

seguir voando

Às vezes eu me encolho igual a um feijãozinho; Outras vezes quero me expandir igual a uma árvore; Nas demais vezes sou como um passarinho Que voa, voa Querendo criar um ninho. Ah, mas é tão complicado encontrar galhos para repousar Levar pedaços de uma casa no biquinho. Então sigo voando E a vida seguindo De um jeito bonito e sereno Até encontrar um lugar
Para isso que eu chamo de ser.

silêncios

E então fez-se silêncio.
Talvez ela precisasse disso.
Silêncio.
Silêncio em meio a tanto barulho.
Barulho, barulho vazio. Barulho sem informação, sem precisão, sem decisão, sem necessidade. Apenas barulho. Disse me disse, diga-me com quem andas que eu te direi quem és. Ou não.
Silêncio.
E essa bagunça em ti, menina, que fazes com ela?
Silêncio
Para pôr em ordem aquilo que devora.
E lá fora
Tudo corre bem.
Afinal, o que vale são as aparências.
As aparências?
As aparências que não enganam, não.
Silêncio!
Para quê tantas falácias?
O vazio é tão estranho. Esse misto de sei-lá-quê confunde, co-funde-se e, então, que resta?! O quê sou?
Silêncio?
Dê voz, se dê voz
E então grite! grite grite grite
para que todos possam ouvir
aqui, ali
onde quer que seja
apenas seja.
Silêncio...
Em meio há tanto barulho.

depois

Das coisas que não devem ficar para depois:
silêncios;
abraços;
palavras;
soluços;
sorrisos;
amor,
amor,
amor.

Eternidade é momento.

(des)encontros

Eu gostava de observar as constelações que te compunham. 
Era tão bonito te ver deitada, com esses teus cabelos que parecem esconder milhares de segredos e pensamentos. Ah, se eu tivesse fôlego para descobri-los. 
Você era bonita na sua simplicidade.
Gostava de jeitos mais independentes, prezava por isso. E eu te admirava, te admirava em silêncio.
Em silêncio porque as palavras são traiçoeiras, são flechas que, disparadas sem direção, cortam e esmagam e o dano pode ser fatal.
E eu gostava de te admirar em silêncio.
Quando você colocava a mão no rosto fingindo estar envergonhada ou quando ria para mim sem graça pedindo para eu parar com aquilo.
Era bonito te ver vermelha de vergonha.
Era bonito porque hoje as pessoas gostam mais de se exibir e você não era assim. Você era você na sua naturalidade de ser você. E isso me encantava...
Eu não sei por onde andas agora. O que fazes, como fazes...
A saudade é um misto estranho de lembrança gostosa e vazio desagradável. 
A liberdade é algo que me confort…

Ao tempo

Um turbilhão de pensamentos em uma cabeça que sonha em descobrir o mundo.
O mundo que, tão pequeno, parece engoli-la volta e meia. Essa ansiedade já era costumeira, mas hoje era diferente.
É sempre diferente quando se toma outros passos, quando decide-se descobrir novos rumos.
Tudo se passa em sua frente:
As primeiras palavras, os primeiros gestos, as primeiras danças e, eventualmente, tudo aquilo que, por mais que seja antigo, sempre tem um momento para ser primeiro.
Agarra-se ao que de fato é. Não há mais tempo para fingimentos.
Tempo?
O que seria tempo?
Corra, corra, pequena.
O mundo é vasto, já dizia o poeta.
O mundo é teu, pequenina.
Mostra tuas asas ao mundo e levanta voo, passarinho. Já é tempo.
Talvez isso seja tempo...
Isso que não espera, que esmaga, que anseia...
Levanta e vai: mais um passo.
E outros tantos que se ensaiam no... O que é mesmo tempo?
Vá!

Reinventar

Eu gosto de me recriar.
Eu gosto de cair, levantar
Ir, voltar
Descer, subir
Aparecer, sumir.
Gosto da destruição,
Pois somente assim há
(re)construção.
Há vida após...
Sempre há
Sempre houve
Sempre haverá!
Porque é nisso em que eu acredito
E me agarro
E me sustento.
Dia após dia
E vida à reinvenção!

à meia-luz

- Você poderia, por favor, apagar a luz? - Por quê? - Não gosto do meu corpo. - Mas você é tão bonita! - Onde? - Por onde começo? - Tente!
Eu poderia começar a falar dos teus olhos, por exemplo. E do modo como eles se apertam, brilhando, ao sorrir de qualquer besteira tola que eu falo ou faço ou até imagino quando se trata de nós dois. Poderia falar do teu sorriso que, consequentemente, aperta seus olhinhos lindos e brilhantes e, como em um conjunto, me fascinam por ser tão simples, belo e puro. Poderia falar de tuas mãos tão pequenas. Tuas mãos que me pegaram e simplesmente me levaram por aí. Descobrir-se é tão singular, mas me descobrir por tuas mãos foi fascinante. Poderia falar de teu cabelo negro como o anoitecer. A penumbra das tuas ondas que me fascinam e me fazem querer navegar como um marinheiro de primeira viagem. Poderia falar dos teus pés pequeninos que caminham lado a lado comigo por onde quer que eu ouse ir. E isso é tão único, porque não imaginei que pés tão pequenos cons…