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Àquele que um dia fui.

Cartas de um baralho descartado. Fotos espalhadas pelo quarto. Tudo parecia uma bagunça.
Era a perfeita união do interior com o exterior. A bagunça interior misturava-se com a exterior e atingia um patamar incomum. A vida já tinha sido mais fácil.
Erros e erros passando pela sua cabeça. Um filme antigo que não quer acabar. O velho drama de quem erra e não consegue carregar o fardo da culpa.
Por onde anda você que não divide comigo essa culpa enorme de ser?
Arg! Odeio toda essa sensibilidade à flor da pele que aparece de tempo em tempo. Era mais fácil se ignorasse algumas coisas, mas nunca consegue fazer algo do tipo.
Sensível, intolerante, frágil.
Anda, anda, anda e não consegue chegar a lugar nenhum.
Parece que em todos os lugares os erros são apontados e você se sente acuada.
Foge, foge, foge e não consegue fugir realmente.
Por onde anda você que não divide comigo esse fardo de ter?
Você resolveu fugir e ignorar tudo o que foi feito. Afinal, é bem mais fácil ignorar os erros do que realmente assumi-los.
Ah, seria tão mais fácil.
Mas nunca é.
Nunca foi.
Nunca será.
Por onde anda você, que um dia foi eu?

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