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Amado Nelson Gonzaga

Nesse ano de inúmeros centenários, não poderia deixar passar sem falar de pessoas tão maravilhosas e influentes. Jorge Amado, Luiz Gonzaga e Nelson Rodrigues, se vivos, completariam 100 anos. Mas, como dizem, os bons morrem cedo. A morte, nesse caso, fica apenas na matéria do ser, pois se tratando de pessoas tão maravilhosas, posso dizer com toda a certeza de que estas permanecem vivíssimas. O legado deixado por eles vai muito além de vida e morte, a influência vai muito além do estado de ser.
Jorge Amado é, literalmente, amado. E como não poderia ser? Enfrentou com sua escrita o preconceito, o “coronelismo” e o pensamento retrógrado que ainda existia (ou existe?) em nossa sociedade. Baiano arretado, nosso Amado tratou de temas polêmicos, lhe dando a devida atenção. Tratou as diversas religiões da Bahia com peculiaridade, sem deixar nada de fora. Nos apresentou os eternos Capitães de Areia, nos fez sentir o cheiro de cravo de Gabriela e aproveitar os últimos minutos de vida com Quincas. Espalhou sua magia pelo mundo e fez todos conhecerem O País do Carnaval e a sua Bahia de Todos os Santos. Não é à toa que é Amado. Jorge viverá eternamente em nós.
Apaixonado por futebol e torcedor fanático do Fluminense, Nelson Rodrigues foi um marco no teatro brasileiro. Sem cinismo, mostrou e (des)valorizou a alta sociedade brasileira. Todos os segredos escondidos embaixo do pano de uma sociedade fajuta iam ao fogo nas mãos de Nelson Rodrigues. Fez crônicas maravilhosas. Adorava falar sobre futebol e fazia até quem não gostava de futebol se apaixonar pela coisa, pelo jeito com o qual falava. Polêmico e apaixonado, Nelson Rodrigues fez história em nosso cenário. Encontrou o seu espaço em meios a tantos espaços nesse enorme cenário brasileiro. Ao comprar um vestido de noiva, saiba que Nelson Rodrigues sabe cada segredo e cada plano por trás de tal vestido.
A letra já dizia “respeita os oito baixo do teu pai” e Luiz muito mais que respeitou, honrou e fez-se rei do baião. Pernambucano, falou com amor do seu sertão que só que vive por lá compreende e sente bem as suas letras. Ensinou ao Brasil inteiro o “ABC do Sertão”, ensinou todos a dançarem baião, de rosto e corpos colados, juntinhos num só coração. Luiz Gonzaga fez o Brasil tomar gosto pelo São João, fincou suas raízes em nós e, assim, fez-se eterno. Ao sentir saudade, lembre-se e olha pro céu, meu amor. Vê como ele está lindo e com certeza a estrela do Rei do Baião brilhará.
Como estudante de Letras e boa nordestina não poderia deixar de homenagear três grandes nomes da nossa rica cultura. Com amor e com dor vamos comemorar o centenário de pessoas tão vivas em nós. Viva Amado Nelson Gonzaga!

Comentários

  1. Linda! Adorei a homenagem escrita aos três grandes queridos.
    Você os deixou ainda mais especiais.

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    Respostas
    1. Muito obrigada, meu bem. Mas eles já são especiais demais para torná-los ainda mais. Apenas uma singela homenagem de uma fã da cultura brasileira.

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