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Ao Nada?

Acho que esqueci alguns bilhetes na sua casa. Mas do que isso adianta? Você não os lê mesmo e nunca teve tanta paciência para os meus blá-blá-blás. Mas, mesmo assim, eu gostava de escrever pra você. Cartas, bilhetes, textos, frases e tudo que pudesse fazer algum sentido perto daquela bagunça toda que nos tornamos.
Queimar bilhetes e cartas não é legal, então guarde-os. Rasgar as fotos não parece correto, então memorize-as. Tentar apagar as lembranças não parece nada fácil, então deixa o tempo correr. Nada foi fácil e não fizemos questão de torná-las fáceis. Facilitamos sim, algumas coisas, outras simplesmente deixamos para lá. Não existe certo ou errado. O melhor que se tem a fazer é seguir mesmo.
No meio daquela minha playlist confusa, algumas músicas me lembram você e todas as palavras pronunciadas. Não procurei meios de ignorar sua presença na minha vida. Acho que o melhor jeito de me acostumar com você foi mantendo você o mais perto possível, para que, assim, eu pudesse entender o seu jeito e tudo o que acontecia. Não sei se serviu, não sei se me acostumei, não sei de mais nada há muito tempo.
Essa coisa de não saber é o que realmente me assusta. Tentava entender o porquê das coisas, mas acho que essa minha ânsia passou um pouco. Tentei entender apenas que algumas coisas não têm explicação e esse foi o jeito de facilitar as coisas tanto para mim, quanto para você. Sabemos de tanta coisa e não sabemos de nada ao mesmo tempo. Arg! Eu detesto essa confusão que às vezes se posta dentro da minha cabeça.
Confusão poderia ser o meu sobrenome, pois nada me define melhor ultimamente. Confesso que estou bem melhor, viu. Esse tempo sozinha e centrada está ajudando a pôr certas coisas no lugar, eliminar outras e aprender (sempre) coisas novas. Acredito que quando tiramos um tempo para nós mesmos jamais será tempo perdido, e sim tempo ganho. Acaba por tornar-se uma pessoa melhor, para, aí sim, poder dar o seu melhor.
Não quero chegar em clichês e nem enrolar muito por aqui. Vamos seguindo, certo?! Sem fugir e sem fingir. Por mais que algumas situações nos levem aos dois pontos. Alguns sonhos vão se esvaindo e o tempo vai correndo por entre os nossos dedos. Creio que a felicidade está por aí, em algum lugar que ainda enxergaremos.

Comentários

  1. Eu poderia escrever isso sem acrescentar uma palavra. Obrigada por sentir junto, Milla.

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    1. Essa coisa de "sentir junto" é uma bela intenção da escrita, que o faz sem perceber. Obrigada por sentir, apenas.

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