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Uma Carta Esquecida

Segunda-Feira, 19 de Março de 2012.
        
Àquele que muito significou e aos poucos se desfez.

Não sei o porquê de ainda insistir em te escrever para dizer tudo isso que ainda me sufoca. Eu precisava arranjar uma maneira fácil e que não fosse tão dolorida para desabafar tudo aquilo que vem me matando dia após dia.
Essa pode ser mais uma das inúmeras cartas ignoradas, dentro de um misto de sentimentos confusos também ignorados por nós. Acho que o simples fato de termos sido nós um dia assusta bastante. Não podemos enfrentar isso, então fugimos daquilo que um dia fomos. Se é que fomos...
Essa minha sede inútil por respostas que eu não sei sequer explicar, essa minha obsessão por tentar entender tudo isso, faz com que eu me perca mais e mais nessa estrada cheia de poeira. O tempo anda tão fechado...
Você sempre fez questão de saber o porquê de tudo, mas nunca quis me explicar o porquê de estarmos assim hoje. Quis deixar, daquela sua velha forma, tudo bem claro. Mas deixou tudo tão subentendido, que eu preferi me afastar aos poucos de tudo que era relativo a nós. Tentar te apagar foi a coisa mais inútil que eu fiz em toda a minha vida.
Teus gestos, teu rosto, tuas mãos, parecem eternizadas em todas as partes do meu corpo. O teu sorriso, teu olhar meio tímido, teu corpo... Tudo meio marcado, meio se esvaindo. Não sei como é isso, só sei que acontece.
Eu poderia terminar de escrever essa carta e repetir tudo aquilo que eu já disse inúmeras vezes. Palavras ultimamente andam tão inúteis e vagas, como essas lembranças que andam rodando minha cabeça. Eu poderia até tentar te esquecer, mas jamais deixarei de lembrar que deixei de pensar em você. Tudo isso se torna tão confuso, tão dolorido, tão... tão... Só sei que não posso mais.
O acaso fez questão de me deixar tão sozinha...

Comentários

  1. Nunca será tarde pra se dizer algumas palavras. O tempo, muitas vezes, é o tempo das próprias palavras. E lindas palavras, por sinal!

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  2. O tempo cura algumas coisas, mas não cala as palavras.

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  3. eu sempre te visito assim, Milla, bem de quietinho, pisando de leve na tua casa. mas hoje não me contive. essa última frase da carta doeu aqui, óh. eu não tinha como calar essa vontade imensa de te dar um abraço. fique bem, dona moça. o mundo fica um pouco mais triste quando você deixa de sorrir. abraço apertado. =*

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  4. As coisas, com o tempo, vão ficando claras e bonitas. É tudo uma questão de tempo e silêncio, ser muito introspectiva e cuidadosa.
    Seu abraço foi muito bem recebido, assim como a sua visita na minha pequena casa bagunçada.
    Fique à vontade, moça bonita =*

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