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I'm Fine

Num desses dias confusos resolvi procurar terapia. Esse lance de deixar o tempo passar não estava mais funcionando comigo e só acumulava lixo no meio da bagunça sentimental na qual me encontrava. Resolvi mesmo procurar um divã e despejar todo aquele lixo no ouvido do psicólogo, psiquiatra ou algum desses médicos que curam solidão.
Desde que meu anjo querubim ou “da guarda” resolveu me abandonar, perdi totalmente o rumo das coisas. Isso mesmo, meus caros, abandonar. Decidiu sair voado, meteu o pé, abandonou as coisas e me abandonou. Mas isso de abandonar não é nenhuma novidade pra mim, acho que ele sabia que eu iria dar conta de mais uma também e resolveu sair. Sem recado, sem mensagem, sem aviso, sem nada. Simplesmente se foi. Não faz falta também, pois já não estava mais dando conta do trabalho dele. Anjo safado!
Fui para a terapia. Eu não sabia como me comportar nessas consultas, pois era a minha primeira vez. O nome do médico era engraçado “Mendes Pinto”. É muito infantil rir de sobrenome que tem pinto no meio? Ok, preciso mesmo de tratamento. Consegui com a amiga de uma amiga minha que faz tratamento a não sei quantos anos porque já não agüenta mais tomar pé na bunda. É nessas horas que me sinto bem? Ok, preciso mesmo de tratamento.
Fui para a terapia. Chegando lá tive que ficar na sala de espera por uns 10 minutos. O ar parecia meio pesado. Olhares não se cruzavam, problemas que pareciam ter o mesmo resultado. No fundo, todos se conheciam. E por haver muitas semelhanças, resolvemos ficar no silêncio de uma sala branca a espera de uma consulta com o doutor Mendes Pintos. Eu seria a próxima. Muitas coisas se passavam na minha cabeça até o momento. Coisas do tipo: Como será o doutor? E o seu consultório? Será que tem um daqueles quadros que intimidam sem nem sabermos o porquê? Um bando de questões me rondava e eu não conseguia me concentrar com aquele silêncio todo.
Entrei na sala. Não tinha a mínima noção do que era pra falar, fazer e etc. Esperei uma coordenada. Me mandou deitar no divã e me fez algumas perguntas óbvias. Aos poucos fui me soltando e comecei a falar. Falar falar falar, reclamar reclamar reclamar. Chorar! Quase uma sessão de exorcismo, digamos. Todas as coisas que aconteceram, tudo o que se desenrolou na consulta me fizeram perceber que toda aquela culpa que eu jogava pra cima de você, estava um pouco em mim. Ou totalmente, não sei. As sessões tinham que ser contínuas para surtir algum efeito em mim.
A verdade é que eu estava um trampo desde o abandono do meu anjo querubim safado. Não sei o que aconteceu. Nunca precisei de um guia ou qualquer coisa do tipo, mas aquele fazia uma tremenda falta. Eu poderia me divertir um pouco com o Mendes Pinto, não sei se deu tempo de comentar, mas ele era um tremendo gostosão da voz orgástica. Não sei se por eu ser uma paciente desesperada por um carinho de uma noite só percebi coisas que não existem, mas qualquer dia desses ligo pro Mendes Pintão para podermos brincar no seu divã.

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