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Apenas Mais Um

Era mais um dia comum entre aqueles dias cinzas e solitários no qual você me deixou.
Levantei, tomei meu café e decidi fazer algo diferente.
Eu tinha certeza de que seria perdoado.
Te trazer de voltar seria a tarefa mais difícil e o jogo mais perigoso para ser jogado, mas tive que correr o risco e arriscar. Não conseguia prever até onde isso iria me levar. Decidi fazer algo diferente.
Fui até à floricultura. Uma dúzia das tuas rosas favoritas. Vermelhas, certo?! Um bilhete simpático e toda aquela coragem que me rondava. Não sei ao certo que dose tomei, apenas tomei. Estufei o peito e segui. O dia seria longo.
Eu tinha certeza de que seria perdoado.
Segui para a tua casa. Caminhos tortuosos. As poucas vezes que estive por aí não deu para reparar muito no caminho, pois a pressa daquelas breves passagens me deixavam meio confuso. Confuso. É, foi assim que você me deixou.
Subir lentamente as escadas daquele prédio cheio de poeira me deixou meio tonto, mas eu não podia desistir no meio do caminho. Estufei o peito e continuei. Mais uns lances de escada e estaria na tua porta. Subi.
Bati à porta. O eco era assustador e se propagava no corredor escuro e estranho do prédio. Ninguém me atendeu. Por vezes pensei muitas coisas. Talvez você não quisesse me atender, talvez você não suportasse a ideia de olhar nos meus olhos machucados e a melhor maneira era me evitar. Mas, depois de tanto pensar pensar e pensar, a vizinha saiu e disse que você não se encontrava. Deu a informação incompleta, viagem com as amigas ou coisa do tipo. Sei lá.
Não consegui disfarçar, digamos, a decepção. Montei um circo diante de uma certeza que nem eu mesmo sabia se existia ou era fruto da minha imaginação. Talvez fosse, pois só assim eu teria coragem de fazer tudo o que fiz. Se você quer saber, não me arrependo. Faria tudo de novo se fosse possível.
Deixei as tuas rosas vermelhas na porta mesmo, junto ao teu tapete de "bem-vindo". Um bilhete meio escondido dizendo "cultive estas com o amor no qual não conseguiu me cultivar".
Fico alegre pela coragem na qual fui tomado para fazer tudo isso e sou muito agradecido também. Ainda hoje fico imaginando o teu rosto, a tua resposta, a tua reação diante de tamanha coragem e peito estufado no qual me encontrava. Mas parece que não era pra ser mesmo.
Hoje encontrei um recado seu na secretária eletrônica. Queria saber o porquê do bilhete, ficou meio confuso pra você. Não sei se hoje conseguiria te explicar.
Eu apenas tinha certeza de que seria perdoado.

Comentários

  1. Olá,Kamilla.
    Essa é minha primeira visita ao blog.Vi seu link no grupo Blokurtando no Facebook e resolvi vir conhecê-lo.Adorei seu blog e já estou lhe seguindo.Seu blog é muito bem organizado e suas postagens muito bem elaboradas.Que lindo texto!Fico vagando pela blogosfera à procura de textos que entendam ou pelo menos tentam decifrar as agonias da nossa alma.Esse texto riquíssimo me emocionou profundamente.Parabéns!Você escreve maravilhosamente bem! Te convido a conhecer meu blog e segui-lo também.Aguardo sua visitinha!
    Bjs!
    Zilda Mara
    @ZildaPeixoto
    http://www.cacholaliteraria.blogspot.com

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  2. Apesar de dolorido, lindo. Lindo porquê é sem maquiagem. Lindo porquê é simples e tuas palavras são tão verdadeiras.

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  3. Olá, Zilda. Obrigada pelo carinho e atenção, sinta-se à vontade para visitar o blog. Existem algumas agonias que por mais que você tente expulsar da sua alma, elas parecem criar raízes. São como ferimentos, sempre deixam as cicatrizes. O melhor de tudo é no depois, olhar e sentir que já ficou curado. A dor, como sabemos, é inevitável. Mas, sempre faz parte do nosso crescimento.
    A melhor forma de expulsar essas coisas de dentro de mim fora encontrada no abrigo das palavras. Essas sim, decifram qualquer ser humano. Não existe palavra que não seja verdadeira.

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  4. O que dizer, Mê? Perfeito, lindo, de narração leve mandando o recado! Lindooooooooooo, amo muito!

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  5. Adorei Kamilla...produzindo melhor a cada dia. Perfeito!

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