Pular para o conteúdo principal

Ser?

Ela encontrou o seu lugar naquele espetáculo todo.
Disfarçada e escondida entre os últimos lugares da platéia, por trás do cara de chapéu estranho e engraçado, ela observava e falava pouco.
Pessoas de todos os tipos, tentando manusear os fantoches da vida ou, ao menos, participar e aparecer um pouco.
Faziam de tudo e acabavam esquecendo-se de serem o que chamam de ser.
Ria sem graça de certas coisas, certas pessoas. Ouvia muito, falava pouco. Um circo montado, um círculo vicioso.
Ah, então é isso que chamamos de vida?
Essa coisa estranha, vigiada, engraçada, patética a tal ponto de não sermos nós mesmos?
Ah, então é isso que chamamos de viver?
Será que vida e viver cabem num mesmo contexto?
Calma, pequena garota! Você ainda está encontrando-se, buscando buscar.
A vida, para você, está apenas começando a ter um sentido de vida.
Busque viver para buscar a vida.

Comentários

  1. As vezes me sinto assim...como se estivesse deslocado do Mundo, ou como mero espectador da vida...
    Gostei. Pontos de vistas..
    Parabéns pelo texto!

    ResponderExcluir
  2. Essa personagem somos todos nós, camuflados de seres humanos. Afinal, a vida é um espetáculo mesmo.
    Obrigada pela visita e pelo elogio!

    ResponderExcluir
  3. Com a leveza do sensível. Com a beleza que é peculiar a você.
    Lindo!

    ResponderExcluir
  4. Tudo que for leve, espontâneo, bonito e de certa graça desajeitada, vem do nosso mais íntimo ser.
    Isso vale tanto para mim, quanto para você.

    ResponderExcluir
  5. É como correr em círculo...mas se encontrar no caminho repetido...
    ...bonito texto!

    ResponderExcluir
  6. É como correr em círculos em que os labirintos são inevitáveis. Tropeços? Ah, são uma parte das dificuldades do caminho.
    Fiquem à vontade e sejam muito bem-vindas, meninas!

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Abrace você também...

Postagens mais visitadas deste blog

Rubi

Se preparava para sair. Era mais uma noite. Mais uma de tantas, mais uma de muitas. Gal Costa em um volume agradável, dizia: “Sou dessas mulheres que só dizem sim”. E talvez ela fosse dessas mulheres que só dizem sim. Um preparo, uma taça de vinho, aquela noite era dela. Apesar de ser uma pessoa diurna, sentia que algumas noites reservavam coisas especiais destinadas para ela. E ela seguia... Ritual de sempre: cabelo, roupa, maquiagem. E o velho companheiro lá, espreitando tudo e esperando para o gran finale. Sabia que sua hora chegaria, sabia que sua hora preciosa de estar naquelas mãos pequenas chegaria e ele aguardava suavemente. Joga o cabelo para cá, amassa de lá. Volume importa! Roupa 1, não Roupa 2, nem pensar Roupa 3, ok. Talvez. Não sabe. Deixa em aberto essa questão. Parte para a maquiagem. Processo chato, processo demorado. Gostava da própria pele, gostava do jeito que a sua pele tinha histórias para contar. Cada sorriso, cada olhar de surpresa, de susto, de alegria, cada ‘cada’ de se…

depois

Das coisas que não devem ficar para depois:
silêncios;
abraços;
palavras;
soluços;
sorrisos;
amor,
amor,
amor.

Eternidade é momento.