Pular para o conteúdo principal

Café com Sentimento

Ela entrou naquela cafeteria. Sentou, pediu um café, permaneceu em silêncio.
Eu, apenas de longe, a observava. Um olhar triste, profundo, enigmático, de quem vê muito e acha pouco.
As suas mãos pequenas agarravam a xícara. Memórias rondavam sua cabeça, como pequenos diabinhos que querem atrapalhar o sono alheio.
Põe a xícara no pirex.
Engole a seco o café quente como se quisesse forçar a digestão de sentimentos amargos.
Toma outro gole.
Queima sua língua como se provasse do veneno desconhecido de alguma planta venenosa.
Um exercício estranho. Uma repetição de atos, como se fosse tudo ensaiado.
Digere lentamente o café juntamente com os sentimentos. Ambos amargos, nenhum adoçante, nenhum coração doce o suficiente conseguirá mudar isso.
Terminado o seu café, ela respira profundamente e tudo volta a ficar frio. Esquecera um gole de café. Talvez não tivesse esquecido, apenas quis deixar ali mesmo.
Um gole de café com aqueles sentimentos amargos que a acompanhavam desde quando ela entrou na cafeteria.
Saiu mais leve, mais doce, mais viva.
Um café e cinco minutos. Tempo suficiente para deixar essas coisas meio amargas para lá.
Deixa estar, apenas.

Comentários

  1. Confesso que acho difícil tanto gosto amargo ser deixado tao facilmente assim, mas não posso discordar do poder que uma xícara-de-café tem!

    ResponderExcluir
  2. O poder de uma xícara de café quente e doce para amenizar sentimentos frios e amargos.

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Abrace você também...

Postagens mais visitadas deste blog

Rubi

Se preparava para sair. Era mais uma noite. Mais uma de tantas, mais uma de muitas. Gal Costa em um volume agradável, dizia: “Sou dessas mulheres que só dizem sim”. E talvez ela fosse dessas mulheres que só dizem sim. Um preparo, uma taça de vinho, aquela noite era dela. Apesar de ser uma pessoa diurna, sentia que algumas noites reservavam coisas especiais destinadas para ela. E ela seguia... Ritual de sempre: cabelo, roupa, maquiagem. E o velho companheiro lá, espreitando tudo e esperando para o gran finale. Sabia que sua hora chegaria, sabia que sua hora preciosa de estar naquelas mãos pequenas chegaria e ele aguardava suavemente. Joga o cabelo para cá, amassa de lá. Volume importa! Roupa 1, não Roupa 2, nem pensar Roupa 3, ok. Talvez. Não sabe. Deixa em aberto essa questão. Parte para a maquiagem. Processo chato, processo demorado. Gostava da própria pele, gostava do jeito que a sua pele tinha histórias para contar. Cada sorriso, cada olhar de surpresa, de susto, de alegria, cada ‘cada’ de se…

depois

Das coisas que não devem ficar para depois:
silêncios;
abraços;
palavras;
soluços;
sorrisos;
amor,
amor,
amor.

Eternidade é momento.