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Mostrando postagens de Outubro, 2011

Procura-se um Zelador

Precisa-se de um zelador!
Um zelador que seja dedicado e fiel àquilo que faça. Um zelador que cuide daquele jardim como se o fosse o seu jardim. Regue, plante, adube, colha, e nunca, nunca mesmo, deixe aparecer ervas daninhas ou murchar qualquer flor e espécie de planta desse jardim.
Procura-se um zelador!
Um zelador que cuide com amor e dê amor. Um zelador que não se importe muito com as tempestades passageiras e nem com as chuvas de verão e que saiba que isso é importante e passageiro. Sempre passa. Passará.
Procura-se um zelador!
Um zelador que afaste a nuvem que se aproxima e traga o sol para deixar sempre belo e verde o jardim. Um zelador que saiba cuidar e cativar as borboletas que, por ventura, aparecem para agraciar o jardim.
Procura-se um zelador que saiba o verdadeiro significado do amor.

Café com Sentimento

Ela entrou naquela cafeteria. Sentou, pediu um café, permaneceu em silêncio.
Eu, apenas de longe, a observava. Um olhar triste, profundo, enigmático, de quem vê muito e acha pouco.
As suas mãos pequenas agarravam a xícara. Memórias rondavam sua cabeça, como pequenos diabinhos que querem atrapalhar o sono alheio.
Põe a xícara no pirex.
Engole a seco o café quente como se quisesse forçar a digestão de sentimentos amargos.
Toma outro gole.
Queima sua língua como se provasse do veneno desconhecido de alguma planta venenosa.
Um exercício estranho. Uma repetição de atos, como se fosse tudo ensaiado.
Digere lentamente o café juntamente com os sentimentos. Ambos amargos, nenhum adoçante, nenhum coração doce o suficiente conseguirá mudar isso.
Terminado o seu café, ela respira profundamente e tudo volta a ficar frio. Esquecera um gole de café. Talvez não tivesse esquecido, apenas quis deixar ali mesmo.
Um gole de café com aqueles sentimentos amargos que a acompanhavam desde quando ela entrou na cafeteri…

Ser?

Ela encontrou o seu lugar naquele espetáculo todo.
Disfarçada e escondida entre os últimos lugares da platéia, por trás do cara de chapéu estranho e engraçado, ela observava e falava pouco.
Pessoas de todos os tipos, tentando manusear os fantoches da vida ou, ao menos, participar e aparecer um pouco.
Faziam de tudo e acabavam esquecendo-se de serem o que chamam de ser.
Ria sem graça de certas coisas, certas pessoas. Ouvia muito, falava pouco. Um circo montado, um círculo vicioso.
Ah, então é isso que chamamos de vida?
Essa coisa estranha, vigiada, engraçada, patética a tal ponto de não sermos nós mesmos?
Ah, então é isso que chamamos de viver?
Será que vida e viver cabem num mesmo contexto?
Calma, pequena garota! Você ainda está encontrando-se, buscando buscar.
A vida, para você, está apenas começando a ter um sentido de vida.
Busque viver para buscar a vida.