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Buraco Negro




Parei no seu quarto com os braços abertos, pronta para lhe aquecer.
Fixei seus olhos. Um oceano de mentiras e loucuras no qual quero me afogar e me perder para tentar me encontrar.
Dancei no seu ritmo, tentei acompanhar os seus passos, mas senti que estava rápido demais. Fiquei apenas a observar, era lindo e digno.
Naquele momento você sentiu que não estava sozinho, pois eu estava ali, esperando você para irmos para um lugar além de nós mesmos.
Eu sempre fui sua maior desculpa, seu maior medo de errar. Mas isso não impedia nossos erros mútuos.
Na mesma velocidade que você procura uma saída de nós, eu procuro uma resposta para nós.
Eu sei disso. Aliás, nós sabemos.
Tentar esquecer, tentar fugir, é o mesmo que confrontar, só que de forma diferente e misteriosa, quase submissa.
Submissa é a nossa situação. Estamos submissos um ao outro, estamos submissos a todo esse ar que nos cerca. Escravos de nós mesmos, nós não sabemos mais para onde correr.
A vida nos deu todas as escolhas possíveis, mas parece que a alternativa mais sedutora foi esse buraco negro no qual nos jogamos.
Suga-nos de pouquinho em pouquinho, nos faz perder todo o controle da situação e nos deixa totalmente sem matéria, inertes.
Agora estou aqui, parada, inerte. Estendendo os braços para você, tentando resgatar você. Mas estou sem forças. Aliás, perdi as forças.
Fiz muita força para juntar todos os seus pedaços, fiz muita força para me encontrar e agora te perdi. Perdi-me também.
Mas, eu permaneço aqui, sempre estive e sempre estarei. É fácil entrar, difícil é sair.
Eu sei. Aliás, nós sabemos.

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