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Ser Traduzível

Foi por acaso que encontrei essa mulher. Cruzando com ela na escada, percebi o seu tipo de “mulher desequilibrada” apenas com um olhar.
Ela era desequilibrada em tudo. Ou era muito razão, ou muito coração. Nunca um meio termo.
Profunda, romântica, daquelas que vivem um amor intenso. Sensual, provocante, daquelas que te usam, te pegam e não deixa que você a esqueça nunca.
Seu ar tem um quê de mistério indecifrável, um decifra-me ou devoro-te constante.
Olhar para ela foi o mesmo que me encontrar no meio daquela confusão urbana. Muito barulho, e um minuto de silêncio surgiu ao nos cruzar com os olhares.
Tão transparente e tão atingível.
Mostrava para quem quisesse ver suas dores e seus questionamentos. Muitos, demais. Sobre o mundo, sobre a vida e, principalmente, sobre o amor.
Foi uma coisa tão rápida para tanta coisa percebida, que nem sei como explicar.
Na minha memória ficou apenas o teu olhar e o que ele quis me dizer.
Gostaria de tentar decifrar-te, mas sei que você pode me surpreender.
Com muitos outros olhares ou até mesmo aquela palavra intercalada.

Comentários

  1. Belo texto. É bom que de vez em quando sejamos surpreendidas por um olhar espelho.

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