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Elipse do "Eu"



Aqueles solos de guitarra a excitavam.
Nada melhor, nada mais intenso, do que isso para lhe dá sede de não sei o quê.
Um batom vermelho manchado e as unhas pintadas pela metade com vermelho: nada mais punk e rock n’ roll.
Só seus pensamentos, que atordoavam e incomodavam as pessoas alheias.
Eu gostava disso nela. Ela era intensa e provocante. Daquelas que não ligavam pras opiniões alheias e falava tudo o que tinha de falar.
Ê, mulher.
Tu és aquela que atordoa meus sonhos picantes todas as noites.
Tu és aquela que me vem à noite e sussurra meias palavras e me tira o fôlego.
Tu és, simplesmente, aquela que sonho ter todos os dias.
Mas, tu és assim
Livre, leve e solta como um solo de guitarra desafinado e uma orquestra sem maestro.
Você, mulher, é assim
Uma prece não feita, uma dívida não paga
Você, mulher, é apenas fruto de um devaneio tolo que me perturba todas as noites e em nada me acrescenta.
Você, mulher, é aquela na qual me escondo para não aparecer. Meu eu em forma de elipse, meu demônio mais que oculto (e culto).

Comentários

  1. Nossa...
    Amigaa, Amei o texto...
    É profundo, faz a gente refletir!

    E isso é muito bom!!

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