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Viver Morrendo


Quando adoeci muitas coisas vieram a minha mente. Não sei se era um filme em preto e branco com um desfecho triste que estava por vir ou se eram apenas memórias aquecidas e frescas dentro do meu coração esperando por um final cada vez mais inusitado.

Lembro-me hoje de todas as pessoas que passaram na minha vida e de todos os ensinamentos e lembranças lindas e tristes que elas deixaram dentro de mim. Não, não peço pra reviver nada, isso é muito fraco. A emoção só é boa quando vivida de primeira, quando vem à segunda já tem gosto de monotonia. É, é verdade meus caros.

Milhares de viagens, alguns amores, muitas desilusões e muitas emoções. Deveria agora, nesse exato momento, está irada e furiosa com Deus e me perguntando “Por que Senhor, eu estou nesse estado? Por quê?”. Ha, isso chega a ser cômico. Não, não estou furiosa com Deus e não tenho milhares de questões a tratar com ele. Só o agradeço. E muito! Só estou seguindo meu plano e eu acredito nisso.

Vida e morte sempre andaram juntas, ali, uma colada à outra, só esperando um tropeço alheio para levar aqueles viajantes insanos e cansados que aproveitaram bastante a amiga vida. Sim e eu vivi. E eu espero descansar em paz, porque nunca tive medo da morte. Ela é silenciosa e calma, tranquila e leve, como aquela brisa invisível que sopra no meu rosto.

Hoje as pessoas me olham, cuidam de mim, me dão comidinha na boca. E isso é um pouco árduo, não gosto muito disso. Sempre procurei uma liberdade desconhecida, sempre tive fome disso. Querem saber? Nunca a encontrei, e eu procurei bastante hein.
Não vou mentir e nem ser hipócrita, sinto que poderia viver mais. Apenas sinto, e se sinto é porque ainda estou vivendo, e se estou vivendo é porque eu ainda não morri.

Eu sempre senti, sempre vivi e continuarei assim. Sou uma sonhadora, sou uma batalhadora. É, e não importa o meu estado atual de saúde, não importa quanto tempo de vida eles ordenarem pra mim, se eu continuar a sentir, eu continuarei a viver. E vivendo eu continuarei a sorrir, pois sou insaciável e nem essa doença me fará deixar de sonhar.
VIVER.

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