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Déjà Vu


Por toda a vida carreguei fardos pesados, tentei digerir coisas cruéis e ouvi calada verdades difíceis. Porém hoje, vejo que mais nenhuma verdade me machuca tanto que tenham o poder de me destruir.
Tive milhões, bilhões, trilhões de motivos para desistir, para voltar atrás, descontinuar tudo aquilo que tentava construir em minha vida. Fui forte e com a cabeça erguida consigo ver e sentir que nenhum motivo me corrói tanto quanto aquele que fez você desistir de mim.
Em toda a minha vida tive vontades. Vontade de voar, de conhecer, de liberdade, de ser feliz. Chorei tantas e tantas por ficar apenas na vontade, que hoje a indiferença toma conta de mim: não dói tanto quanto doía antigamente.
Pesquisei, busquei, tentei conhecer pouco a pouco e a fundo as religiões e doutrinas que nelas existem, porém, nenhuma foi capaz de me convencer que o Deus que existe pra mim vive independente de qualquer religião.
Busquei respostas em todos os lugares, em todos os sentimentos, em todos os pensamentos e nenhuma conseguia saciar a minha sede ou tentar, ao menos, me satisfazer. Ainda carrego essa sede comigo e essa busca insana por satisfações: respostas.
Foram muitos companheiros na minha vida. Não, não falo de amor ou romance. Falo dos sentimentos. Amor, dor, alegria, sofrimento. Todos me fizeram companhia por um breve instante e foram-se da minha vida. Apenas um veio para ficar e não surpreender-me mais: o tédio. Esse se faz presente em grande parte da minha vida.
Por ora, acredito está vivendo fora do meu corpo, como uma pessoa morta mesmo. Queria não senti-lo, queria não ter de carregá-lo por tanto fardo que há nele. Mas, na primeira gota de chuva, aquela velha sensação de alma lavada toma conta de mim. Sim, eu sinto que estou viva.
Incomodava-me tanto com o sofrimento alheio, que, por muitas vezes, acabava por esquecer os meus. Sempre fui boa de conselhos, admito. Mas, passei a ser melhor em observação, logo vi que ninguém se importava com o meu sofrimento como eu me importava com o deles, passei então a não me comover com o sofrimento de terceiros. Primeiro eu, segundo eu, terceiro eu.
Promessas? Ouvi milhares! Toda hora, a qualquer hora e em todo lugar. Existe ainda quem seja atraído por tal asneira, embora estejamos diariamente sofrendo desilusões por conta de promessas. Hoje, já não me atraem.
Minha razão anda desgovernada, sou guiada pelas minhas próprias leis, não sei absolutamente onde estou, mas sei que não pertenço a este lugar.
Por entre os becos sujos e fétidos da vida, por entre as esquinas dessa minha vida, procuro uma alma. A minha alma.
Ah! Já faz tanto tempo.
Não sei onde ela se perdeu, em que buraco ou mundo ela enfiou-se.
Mas, eu não tenho pressa, não terei pressa.
Eu nunca tive pressa.

Texto modificado a partir da música Déjà Vu da cantora Pitty.

Comentários

  1. Ver-se de fora do próprio corpo é um grande aprendizado. Dadiva, é encontrar-se dentro de si.

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  2. Apesar de não expressar muito, e me sinto culpada por manter-me oculta sobre o mesmo, a cada dia que passa, me surpreendo mais contigo e passo a admirá-la ainda mais.
    Essa é minha irmã, TE AMO.

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