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Black



Num ápice de loucura difícil essa noite, peguei todas as nossas fotos e espalhei pelo chão do meu quarto. Não sei se eu era fraca ou se eu me sentia mais forte e feliz por ter alguma memória de você perto de mim, mas eu sabia que no fundo eu estava apenas doente. Doente? Sim. De solidão, estava ferida e muito machucada. Não sabia qual era o melhor jeito de abafar, de tapar ou colocar qualquer curativo nesse machucado e acabei por fazer isso. É digno de pena, eu sei. Não me culpe.
Uma taça do nosso vinho predileto e uma música romântica ao fundo. Não sei, não sei. Olhei-me no espelho e deparei-me com o monstro no qual me tornei. Culpa sua? Não, claro que não. A culpa é toda e absolutamente minha. A partir do momento que deixei você entrar na minha vida, saberia que tinha de arcar com as consequências que estavam por vir depois do fim. Acho que esperei demais de um mero mortal como você, acho que estou cobrando demais de uma mera mortal que sou. E eu sou.
Sensível e machucada saio a vagar pelas ruas cinzentas. Pessoas me olham, me analisam e acham que sabem de tudo que eu estou passando. Essa minha capa destruída não é nem um terço do coração destroçado que você levou ao partir.
Peço-te, pare de me punir, pare de me angustiar os sonhos à noite, pare de invadir minha alma e querer leva coisas além do que se possa imaginar. Peço-te, que se for sair da minha vida, saia de uma vez, não fique indo e voltando, como está acontecendo constantemente.
Lembre-se, ao partir, deixe o meu coração remendado em cima da cama ou sob o travesseiro. Ao acordar, irei lembrar-me que continuo viva e que o seu amor, pra mim, já não importa mais.

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