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Uma Necessária Auto-Defesa

Não sei, não sei. Mas creio que metade de mim é só racor. Não sou uma pessoa que esquece fácil, ou melhor, quase nunca esqueço, porém vou levando. Levantei pedras e arrastei milhões de barreiras para o lado para tentar, ao menos, ser feliz. E estou conseguindo.
Dessa metade não tenho muito orgulho, mas como todo e qualquer ser humano falho, tenho duas caras. A maioria das pessoas que se aproximam de mim conhecem um lado rude, grosseiro, seco e muitas vezes fechado que não se abre pra qualquer um. Ai de você se tentar. Nunca tive e não sei como é essa necessidade absurda de querer agradar pessoas alheias. Ora, se querem minha admiração, elas que me agradem, certo?!
Qualquer tipo de intimidade que pessoas falsas ou hipócritas tentem comigo, eu já as corto. Fico espinhosa, não sei explicar. É um tipo de auto-defesa, sabe, um certo modo para que essas pessoas não invadam esse espaço que chamo de privacidade. Como uma planta venenosa, bonita por fora e perigosa por dentro.
Por outro lado, existe lá no fundo, aquele ser doce e sensível, delicado e leve, que apenas as pessoas selecionadas conhecem. Sim, eu sou assim. Amorosa, calma, bondosa e de coração tão doce como mel, que amor em mim não falta. Seleciono a dedo e as conto também, as pessoas que fazem parte da minha intimidade. Sim, isso sim é ser feliz. Não preciso de 10, 20 ou 50 pessoas na minha vida pra provar que sou bastante amada e feliz, só preciso de 4 ou 5 pra sentir que o amor é verdadeiro. Isso nutre a alma e faz bem ao coração. Deixa a alma leve e o espírito renovado.
Não, não, eu não era assim. Eu aprendi a ser. Por que? Porque a vida quis me mostrar que é necessário ser assim. É fácil encontrar quem aponte seus defeitos, quem ri da sua cara, quem aproxima-se de você por pura conveniência. É fácil, é bastante fácil ter amizades assim. Difícil e raro é ter quem te levante, quem enxugue as suas lágrimas, quem aproxime-se de você para curar sua dor e quem identifique-se com você.
Passaram milhares de pessoas na minha vida, mas apenas algumas eu pude lapidar e ver que eram pessoas verdadeiras. E dessas, eu faço questão que participem da minha intimidade.
Grande parte de mim é feita de amor, eu sei. E a outra grande parte de mim é feita de auto-defesa. Me desculpem, eu sou assim e creio que pra sempre eu serei.

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