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A Invejável Flor

Bonita, dengosa, com um gingado pra-lá-de-espetacular. Eram todos os elogios e adjetivos aplicados àquela linda Flor. Linda mesmo, de dá inveja a qualquer mulher invejável ou invejosa da cidade, e eram tantas e muitas. Bonitas e feias, velhas e novas, todas com inveja da invejável Flor.
Não era de se espantar tanta beleza. Menina bonita do sorriso cativante e olhos grandes e ingênuos, corpo malicioso e mente curiosa. Menina de muitas, milhares, enormes fantasias e tantos sonhos. Com o seu passar pra lá e pra cá e seu cabelo ao vento, ninguém suspeitava das inúmeras coisas e lugares que Flor sonhava conhecer.
Cresceu em uma cidade pequenina como a palma da sua mão, que restringia todos os seus sonhos. Da janela do seu quarto, Flor sonhava com o que haveria de ter além da montanha que, como um quadro, enfeitava o fundo do seu quintal. Deitada e sonhando, Flor imaginava-se naqueles lugares bonitos de novela, como a Praia de Ipanema, e que Vinícius me perdoe, mas ela poderia ser a próxima Girl of Ipanema, mas ela era apenas a garota daquela cidadezinha pequena.
Em seus momentos de surtos, Flor pegava o seu melhor vestido, o encurtava e ficava dançado na frente do espelho e os vizinhos curiosos a espreitavam com seus olhos famintos de desejos, e Flor, ao perceber recolhia-se e deitava-se para continuar sonhando.
Adormecia, parecia um anjo. Em seus mais profundos sonhos apenas um objetivo.
Qual objetivo?
Todo mundo pensa que sabe, mas não sabe

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