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Cheiro

Você pode lutar contra memórias de qualquer cunho, menos a olfativa. 
Cruel, maltrata com cheiros.
Esses dias no metrô esbarrei com alguém com o cheiro semelhante ao teu. Como não recordar teu sorriso? E o modo como me abraçava? Até mesmo quando eu encostava a cabeça no teu ombro. Aquele cheiro era um convite e eu detesto recusas... 
E quando eu cruzo a esquina, sinto o cheiro do café. Fim de tarde. Chuva. Como não lembrar das nossas tardes embaladas a chamegos e carinhos e cheiro de café fresquinho que você fazia questão de preparar? 
Tão minucioso em me acalentar com boas lembranças, de fazer com que eu preservasse isso em mim. Preservo, você sabe. 
Os cheiros trazem teus jeitos, trejeitos à minha memória. Como não lembrar? Como não lembrar com carinho por tudo aquilo que vivemos? Cheiros para selar...
A vida é a arte dos encontros, embalada por todos os sentidos. Mas o cheiro, ah, esse maltrata...
Postagens recentes

Cotidiano

Seguiam-se os dias
Corriqueiros, apressados, fugazes
Passos e passadas
E ali era só mais um no Brasil da Central.
Enquanto passavam, os pedestres a correr
Andar e caminhar não existe nessa loucura de vida
Apreciar? O quê?
E ali era só mais um nos pilares do viaduto do profeta Gentileza.
Desce ônibus, sobe carro
Passam nas escadas rolantes do metrô, céu azul
Calor
O que é amor?
"Uma ajudinha, senhora"
E oferece a bala.
Pede ajuda, mas para quê? Seria só ajuda financeira?
Calor...
Será que já sentiu?
18:00 horas e a vida acontece
Para todos
Para quem passa e não repara
Por que reparar?
São só "pivetes"
E mais
Dois
Três
Milhares entre milhares no Brasil da Central.

convite

Gosto quando Chico canta suavemente no meu ouvido e diz que o amor não tem pressa...
E é assim que vai acontecendo, sem pressa.
Te ver sorrir... sem pressa.
Te ver chegar... sem pressa.
Entrar, sentar, acomodar-se... sem pressa.
Sentir, tocar, suspirar... sem pressa.
E ir assim, sem pressa.
Para pensar
Ver
Saber
Onde podemos chegar...
Sem pressa.
Sem a pressa que esses dias nos impõe.
Nessa fugacidade da vida
Que exige pressa.
Te ver
E sentir
E desvendar
Sem pressa...

en nous

fiz de ti uma ponte entre eu e meus instintos profanos, sagrados secretos vale esse crime? vale esse olhar? suspiros, toques, pele que não hesita, que se excita esquece a saída quando a saída mesmo é estar. aqui agora eu, tu corpo, pele, lábios e o infinito que cabe nesse instante de não caber em nós. te desvendar e me desvendar
a sós...

Sentidos do Sentir

“Desculpa, efeitos de eventos passados na minha vida...” E assim, entre lençóis e confissões, rolaram a madrugada. Ela pretendia se abrir, queria se abrir, de um jeito um pouco mais íntimo do que esse que já sabemos. E tentava, tentava, tentava... Deita e aceita eu. Ou não. Cigarros e risos, palavras não ditas. Ou mal-ditas? “Você gosta de racionalizar as coisas. Tenta só sentir.” Sentir Sentir Sentir Sentir... Parecia fazer eco essa palavra na cabeça dela. Buscava, mas sabia que não era bem assim. E por que sabia? Ah, essas noites que nos revelam segredos sem mesmo dizer uma palavra sequer. As melhores surpresas. Ela é um mistério e ele sabia disso antes de mergulhar naquele olhar arrebatador. Não tinha muito o que perder mesmo. E mesmo quando não temos muito a perder, acabamos sempre por perder algo. E ele perdia. Ele se perdia ali com ela, nela. Sentimento bom.   Sabia sentir, mas havia esquecido Ah, aquela velha desculpa de eventos passados na vida dela. Deixa disso, menina! Sabemos que toda…

Rubi

Se preparava para sair. Era mais uma noite. Mais uma de tantas, mais uma de muitas. Gal Costa em um volume agradável, dizia: “Sou dessas mulheres que só dizem sim”. E talvez ela fosse dessas mulheres que só dizem sim. Um preparo, uma taça de vinho, aquela noite era dela. Apesar de ser uma pessoa diurna, sentia que algumas noites reservavam coisas especiais destinadas para ela. E ela seguia... Ritual de sempre: cabelo, roupa, maquiagem. E o velho companheiro lá, espreitando tudo e esperando para o gran finale. Sabia que sua hora chegaria, sabia que sua hora preciosa de estar naquelas mãos pequenas chegaria e ele aguardava suavemente. Joga o cabelo para cá, amassa de lá. Volume importa! Roupa 1, não Roupa 2, nem pensar Roupa 3, ok. Talvez. Não sabe. Deixa em aberto essa questão. Parte para a maquiagem. Processo chato, processo demorado. Gostava da própria pele, gostava do jeito que a sua pele tinha histórias para contar. Cada sorriso, cada olhar de surpresa, de susto, de alegria, cada ‘cada’ de se…

Entre o Beijo e a Poesia

Das batucadas mais fortes que o carnaval nos presenteia, a mais intensa era o batuque entre os lábios dele e dela.
Passar o carnaval no Rio de Janeiro é o sonho de qualquer pessoa, mas aquele beijo fazia esse sonho se tornar "mas que nada".
Quente, memorável, explosivo
Como uma bateria de carnaval.
A cena que latejava era a puxada que ela deu no braço dele e o levou para debaixo dos Arcos da Lapa.
Que momento!
Quanta coisa aconteceu ali naquele curto espaço de tempo, naquela tarde quente de segunda-feira pós-bloco.
Fechava os olhos e sentia. Pensava, flutuava e deixava a sua voz interna falar: "- Parece que fui feita para te beijar!"
"Beija o garoto!", gritavam de lá.
"Wow!", se assustavam as gringas.
E eles riam, riam...
O momento era aquele.
E foi eternizado nesse beijo
Que hoje vale a poesia.